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Os meus amigos são todos assim:



metade loucura, outra metade serenidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Os meus amigos são todos assim:
metade doideira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, malucos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril”

Fernando Pessoa

4 comentários:

  1. Querida Smile e os meus, aqueles que estão para todo o sempre, são mesmo assim!
    Obrigada pela partilha deste texto do Pessoa...

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  2. Diz tanto este texto...os amigos são o que fica, o que está lá!Confesso que sem os amigos me sentiria vazia...

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  3. A normalidade é sem duvida uma ilusão...

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  4. temos os mesmos amigos?

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