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Perfeição




Existe uma fixação mordaz pela perfeição, como, ter um filho lindo e maravilhoso.
A perfeição reflecte-se na doação de tempo, no senso de responsabilidade, na linguagem de amor e no padrão estabelecido em casa. 

Ter tempo com um filho exige tanto esforço como a força em busca do auxílio divino a cada madrugada. Pensamos sempre que nada de mal vai acontecer, estamos sempre a dar um tempo fragmentado, diluído, entrelaçado no cansaço do trabalho. Infelizmente as obrigações tornam-se boas justificações para ausências destruidoras que correm num dos maiores dons de um filho, a figura paternal. O pior, é que mesmo com evidências reais de um afastamento espontâneo, não nos damos conta que estamos a pôr em risco a pessoa que em essência mais amamos. Talvez inconscientemente, até! Este é um paradoxo mortal que afecta o ego, muitas vezes revestido da síndrome da prioridade distorcida - acharmos que somos boas mães, até mesmo quando eles (os filhos) têm a capacidade de afirmar que não somos tão boas assim. 
Injustificável, é o senso de responsabilidade paternal, que nos faz forçosamente dar aquilo que achávamos que não faria falta. 

Talvez só venhamos a dar conta com tempo, quando ele já se foi e poder clarificar que perdemos muito tempo, o tempo todo, enganando o nosso senso de responsabilidade com a compra de educação baseada em coisas. Isso é triste! Descobre-se que a linguagem do filho perfeito era outra, eles querem tempo, não somente de qualidade, querem quantidade também. A linguagem deles é a presença, ainda que apenas para dizer “filho, estou aqui só para ti”. 


O padrão que quero estabelecer em casa é a resposta do futuro que desejo para o meu filho. 
Estou consciente disso tudo e não quero falhar!

4 comentários:

  1. Olá, Smile.
    Li o teu texto e revi-me nas tuas inquietações...e nas tuas decisões. No entanto, também aprendi (que remédio), que não conseguimos estar em todo o lado e que nao podemos, nem devemos substituir ninguém e o que conta mesmo, é os filhos saberem que somos o seu porto de abrigo e que o nosso colo está sempre lá.
    Beijinho
    Ana

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  2. O melhor que se lhes pode dar é tempo de presença.
    Um dia eles vão dispensar tudo o que se lhes dá.
    Mas não o tempo de presença.

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  3. Nenhum canto é sagrado mas o tempo que passamos com eles é muito precioso, sem nada em troca. Queremos sentir bem com o que fazemos e fazer sentir isso aos nossos.

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  4. tempo! esse papão dos tempos modernos...

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