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incompatibilidade para diálogo

 Eu digo sim, ele concorda e ao expressar-se muda para não e diz, afinal, que sim é não. Merda! Precisei de  dez anos para perceber que aquele gajo fala, fala e não diz nada!?
N'alguns comentários há dias diziam-me alguns leitores, que já estava mais que na hora de me decidir para que lado cair, e está! que esta situação se arrasta há demasiado tempo e arrasta! -Obrigada! pensei e decidi ter uma conversa, conversa essa acabadinha agora, com ele a sair porta fora, é normal que isto que aqui escrevo não transmita coisa com coisa, estou de cabeça quente -a ferver e não há água fria que arrefeça

Olho para mim antes de sem querer olhar à minha volta porque se o fizer, não há ponta por onde pegar. Sou, como sempre , mesmo durante todo os 5 anos tempo que vivemos a três, a mãe e o pai do Piolho. Dedico a esta criança todo o meu tempo, a ternura, o amor como qualquer mãe, a diferença é que qualquer mãe tem o outro tempo, o seu, aquele em que o pai se ocupa, aquele que eu não tenho pois o Piolho está quase sempre comigo. Aqui não se usam fins de semana de Pai, férias de Pai ou feriados de Pai, aqui não há consulta que o pai acompanhe, nem mesmo à psicóloga, de quem foge como o diabo da cruz há um domingo de tarde sem amigos e decide encontrar-se connosco para um passeio na praia ou algo do género, há um telefonema de dois em dois ou três em três dias cuja conversa se resume a estás bem? o que fizeste? o que comeste? como tens portado? o que fazes amanha? Assim tipo reportagem jornalística Aqui também não se usa partilha de despesas ou pagamento de pensão de alimentos, as festas da escola, bem como reuniões ou missas de catequese são uma seca e estão fora de questão.
Hoje a gota de água deu-se na visita de senhor Pai, 5 minutos antes do piolho dormir, apareceu, sentou no sofá ao lado do Piolho que jogava computador e interrompeu o jogo para cumprimentar e continuou, chamei para lavar os dentes e o Pai foi deitá-lo, quando regressou do quarto ofereci café, ele foi à janela, fumou um cigarro enquanto iniciei a conversa, começando por alertar, mais uma vez para o facto de a sua presença não se notar e que se assim tiver intenção de continuar eu terei de tomar outras medidas. Se olhar à minha volta vejo crianças, filhos de pais separados, com férias de pai, fins de semana de pai, partilha de despesas e pagamento de pensão de alimentos ou, em contra-partida, sem pai, ninguém tem um mais ou menos pai como o Piolho. Debitei palavras, disse milhentas vezes as mesmas frases de formas e com palavras diferentes mas o mesmo significado, para que não houvesse o risco de ser mal interpretada, expus os pontos de vista, fui honesta, sincera e amiga, expliquei várias vezes que estava apenas a criticar para que pudesse tomar medidas de forma positiva que visassem a satisfação de ambos, estava a dar conselhos e a expor criticas da mesma forma que queria receber quando alguém tem para me dar. O remate desta conclusão foi a resposta e a noção que eu tive de ter estado a falar para o boneco; A conversa terminou com
ya, tens razão...
-Pois, 
ya, se calhar até tenho, como tive sempre, pelo menos esta sempre foi a forma mais fácil, mais rápida e menos trabalhosa de terminar todas as nossas conversas, discussões, desavenças.
Tive esperança, outra vez que as coisas mudassem, outra vez que o facto de nos afastarmos, outra vez ainda que por sua escolha, outra vez o fizesse crescer, tomar atitude, mas a única atitude que vejo ter depois da separação é deixar andar o barco, ao sabor da corrente. Quando me diz que nos me vai conquistar, e eu acredito que seja capaz, passas 15 meses sem fazer nada, absolutamente nada e vem dizer que está a ficar cansado de esperar, esperar que o troféu da conquista venha parar à mão e assim o possa levantar, ergue-lo e entregar-mo dizendo - pronto está aqui, já tens o que queres... - Meu menino eu quero, aliás, eu quis muito mais que isso! Eu disse vezes sem conta que ninguém me conquista sem ter conquistado o meu nosso filho e tu não percebeste, disse-te também que precisava de provas, problemas resolvidos, vida organizada, motivos de valor para haver volta... Garanto que se esses motivos de que falo fossem borga com amigos, estava mais que conquistada, mas não, nada disto passa por aí e por isso, e 15 meses passados e um novo desmoronar de castelo, esquece, esquece-ME não "lutes" mais, não mais te canses de esperar, não vale a pena, porque eu não vou também ficar à espera de qualquer mudança ou troféu. Sabes Pai-do-Piolho, há dez anos atrás deixaste-me e tínhamos um projecto em andamento: um filho, deitei tudo para trás das costas e apostei novamente no amor, lembras-te? Desta vez deixaste-me novamente, e novamente com um projecto em andamento, a nossa casa. Se reparares, nenhum desses projectos ficou pelo caminho, se reparares arregacei mangas e das duas vezes fui à luta, sozinha! Não perdi forças, não desisti e hoje vejo com orgulho o que consegui, sozinha. Que outro projecto achas que posso arriscar começar contigo depois do nosso passado e do presente que vives agora? Que confiança ou estabilidade tens para me oferecer?
Para mim não serves mais, e para o Piolho, tenho muitas duvidas, acredito que vás ainda a tempo, mas para isso seria precisa muita força de vontade, mas força de vontade dá muito trabalho, e o trabalho cansa...
Sabes Pai-do-Piolho, és uma excelente pessoa, como amigo, sem duvida, és giro que se farta, mas não mais que isso. Sabes, não guardo esta nossa historia como tempo perdido na minha vida, dela saiu o mais belo projecto que alguma vez poderia conceber, o nosso Piolho, mas a vida continua e eu acredito nela, na vida...


Há histórias de vida fantásticas, há famílias com histórias perfeitas e eu acredito numa dessas para mim, há verdadeiras histórias felizes de príncipes e princesas e eu sei que posso ser personagem de uma delas. Tu tiveste as tuas oportunidades, demais até agora chegou a minha hora, a hora de pensar em mim e seguir, sem ti, abrir os braços para a vida e gritar bem alto estou viva e vou ser feliz, porque vou!