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Se eu pudesse trincar a terra toda . E sentir-lhe um paladar . E se a terra fosse uma cousa para trincar . Seria mais feliz um momento . Mas eu nem sempre quero ser feliz . É preciso ser de vez em quando infeliz . Para se poder ser natural. Nem tudo é dias de sol . E a chuva, quando falta muito, pede-se . Por isso tomo a infelicidade com a felicidade . Naturalmente, como quem não estranha . Que haja montanhas e planícies . E que haja rochedos e erva . O que é preciso é ser-se natural e calmo . Na felicidade ou na infelicidade . Sentir como quem olha . Pensar como quem anda . E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre . E que o poente é belo e é bela a noite que fica. Assim é, e assim seja...
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

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