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Sim, fomos tudo um dia,



 mas não posso concordar contigo quando me dizes que deixámos de o ser, que passámos de TUDO a NADA, não, nada disso!... Fomos aquilo que fomos, fomos essencialmente felizes [porque são os momentos de felicidade contigo que quero recordar] a três, embora nunca nenhum de nós nos tenha reconhecido o verdadeiro sentido de família [remávamos para sítios diferentes, lembraste? Por isso o barco não saia do mesmo lugar] não me culpo, foi o meu amor [obsessão de perfeição] que me obrigava a lutar, a não deixar que algo te faltasse, a sentir-me tantas vezes impotente por não conseguir resolver tudo sozinha e ter de te preocupar com problemas que deixavam pintinhas negras na tua vida cor-de-rosa, raras vezes, eu sei, mas acontecia, e cada vez que acontecia, eu morria um bocadinho [mais] por dentro, culpava-me e sei lá, desdobrava-me em sacrifícios de forma a compensar-te por problemas que muitas vezes eras tu que procuravas, encontravas e trazias - alguém resolvia, sempre! [eu]. Também não te condeno nem te culpo, só querias o teu sossego, o teu canto e manter as aparências, aprender a brincar às famílias dava muito trabalho, disponibilidade para partilhar alegrias, não era preciso, tempo para brincar estava fora de questão... Enfim, não podias dar aquilo que não tiveste, certo? Vamos acreditar que sim... 
Hoje cada um de nós tem a sua própria tarefa [de pai/mãe, educador(a), amigo(a), companheiro(a)] e cada um de nós deve aproveitá-la como melhor sabe ou pode [estás a esquecer-te? Olha que o tempo voa e o menino cresce todos os dias] 


Tal como escrevi à pouco, demos [dei!] mais um passo pelo Piolho.
Não o fiz para atrapalhar a tua vida, fiz para remediar o futuro do nosso filho