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Agora não há segredos, não há medos, não há mais nada entre nós que nos impeça de ser feliz


Nunca subestimem as capacidades de uma criança. Nunca pensem que por estar de olho na televisão não 'capta' tudo o que está ao seu redor. A história que ontem contei ao meu filho não foi novidade para ele, já tinha apanhado umas quantas palavras, juntou tudo, separou o trigo do joio, montou as peças qual puzzle e construiu a sua história, aquela que conseguiu com os trunfos que tinha e da qual não queria falar, muito menos ouvir, aquela que sabia não vir a orgulhar-se e por isso fugia como quem foge da guerra, mas consumia-o e aguentava, sozinho, sem nunca ter tido a coragem para fazer uma única pergunta que fosse acerca do assunto. Assunto este que também a mim me consumia, o medo da sua reacção, o sentimento de impotência pelo seu sofrimento e igualmente preocupante, o receio que viesse a saber por terceiros, mal intencionados.

Mas acabou o sufoco, tirei um peso de cima, ganhei um nó no coração, nada que um abraço [ou muitos] não desatem. Ganhei uma maior admiração pela parte do meu filho, ganhei até uma alcunha de super-herói por não ter baixado os braços. Revivi tudo de novo. Chorei. Chorámos. Rejuvenesci. Ganhei outro [mais] valor como mãe, mulher e exemplo.