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deixou-me a pensar.


Nesta fase da regularização de poderes parentais pela qual estou (novamente) a passar, à pouco em conversa com uma amiga, juntamente com parte do texto que transcrevo,

(...) temos os mesmos direitos e oportunidades que os homens, a possibilidade de alcançar metas que eles alcançam. Mas não nos esqueçamos, por favor, que a casa da partida é totalmente diferente. Nós não partimos com vantagem (...) Na maior parte das vezes, conseguimos a proeza de nos dividirmos, sem nunca deixarmos de ser inteiras. Dividimos-nos pelos filhos, pelo marido, pelo trabalho, pela casa, pelo stress (...) E quando falhamos, sentimos-nos miseráveis, porque não é suposto falharmos. Nós temos que ser perfeitas. Se uma mãe é vista no supermercado, a enfiar frutas num saco, com um puto agarrado às canelas aos gritos, outro embandeirado em arco a fazer birra de sono, é uma mãe como outra qualquer. Já se é um gajo no supermercado, a passear-se entre as prateleiras da higiene pessoal, com os putos atrás, é um Deus, uma ave rara, um pai exemplar. A eles basta-lhes fazerem umas macacadas, uns passeios e são tidos como os melhores pais do mundo. Uma mãe que faça tudo isso e mais tudo o resto que é suposto, é uma mãe banalíssima. Uma mãe, nunca será uma mãe excepcional, pois ser mãe tem no seu cerne ser excepcional e, pelos vistos, ser pai não tem. Daí os elogios a um desempenho banal de um pai e a falta deles, quando uma mãe faz exactamente o mesmo. Mas nós, as mulheres, as mães, não somos obsessivamente exigentes. Não queremos glória a cada instante que passa, nem elogios por passar o dia a limpar ranho e a ouvir chorar (se bem que até merecíamos). Queremos apenas que, de vez em quando, nos reconheçam o valor, sem termos que arrancar o reconhecimento à dentada. Desejamos ser notadas pelas pequenas coisas que não deixam a casa cair no final do dia. Que mantêm vidas de pé e a funcionar o ano inteiro. Queremos apenas sentir que nos apreciam e que nos enxergam, digamos aí uma vez por ano. Pode ser? 

É exactamente assim, mas piora quando os pais são separados, quando as crianças o vêm [ao pai] esporadicamente, quando é sempre a mãe a educar, a chamar atenção e a castigar, mas um dia as crianças reconhecem, não reconhecem? Um dia eles percebem que foi tudo com a melhor intenção, tudo para o seu bem e um dia vão agradecer, não vão? Ou mesmo que não agradeçam - não precisam! - Vão valorizar... não vão?

8 comentários:

  1. Espero que sim, por alguém que me é tão próximo!

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  2. Espero que sim! Que um dia isso seja tudo reconhecido.
    Apesar de ter uma excelente relação com o pai do meu filho e de eles passarem muito tempo juntos, cabe-me sempre a mim o papel de educadora. Sei que muitas vezes sou eu a má da fita, mas tenho esperanças que ele um dia perceba que foi sempre para o bem dele.

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  3. Quando forem pais/mães valorizam, de certeza. Até lá, fique-nos o consolo de que fazemos o melhor que conseguimos... coragem, que pelos nossos filhos vale mesmo tudo.

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  4. Tenho que acreditar que sim....já passei a fase da frustração, da culpa, da Má mãe....e resta-me ser o melhor que posso e dar-lhe o melhr de mim....e esperar que ele consiga reconhecer.

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  5. Sim !! Smile, acredita que sim!!

    :)

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  6. Agradecem e valorizam, garanto-te. Vejo isso em mim e no meu irmão. :)

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  7. Não vejo as pessoas como homens ou mulheres.
    Somos todos seres humanos.


    Quanto a ser filho de pais separados...

    Mãe, tem que ser pai e mãe quando o pai não está.
    E pai, tem que ser mãe e pai quando a mãe não está.

    Não deveria ser assim. Mas é.

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  8. Eu penso que sim...desde que os pais n usem o filho para aquelas querelas...

    Mãe
    http://blogprofissaomae.blogspot.pt/

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