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Pedro e o fio mágico *


Parte I de VI

'Pedro' era um menino muito alegre, toda a gente gostava dele, mas tinha um ponto fraco: O Pedro não conseguia viver no presente, não aprendera a apreciar o processo da vida. Quando estava na escola sonhava ir lá para fora brincar, quando estava a brincar, sonhava com as férias de verão... O Pedro passava os dias a sonhar acordado, sem tempo para saborear os momentos especiais que preenchiam a sua vida...
.. Um dia de manhã o Pedro estava a passear na floresta perto de casa, como se sentiu cansado, decidiu descansar numa clareira e acabou por adormecer. Passados uns minutos ouviu alguém chamá-lo: - Pedro! Pedro! - gritava a voz estridente lá do alto, quando abriu os olhos apanhou um susto ao ver uma mulher de pé na sua frente, ela devia ter mais de cem anos e os seus cabelos brancos como neve ultrapassavam em comprimento os ombros, como um cobertor de lã.
Na mão, enrugada, a mulher tinha uma bolinha mágica com um furo no meio por onde passava um comprido fio dourado. Disse ela: - Pedro, este é o fio da tua vida, se puxares o fio um bocadinho, uma hora passará em segundos, se puxares com força, vários dias passarão em minutos, e se puxares com toda a tua força, meses e anos passarão em poucos dias. O Pedro ficou excitado com esta descoberta - Posso ficar com ele? - Perguntou. A velhinha baixou-se e deu ao menino a bola com o fio mágico
No dia seguinte o Pedro começou a ficar irrequieto durante as aulas, de repente lembou-se do seu brinquedo novo. Assim que puxou um bocadinho do fio, encontrou-se em casa a brincar no jardim. Apercebendo-se do poder do fio mágico, o Pedro rapidamente se cansou de ser menino da escola e desejou ser adolescente, com todas as aventuras que esta fase da vida lhe traria. Portanto, pegou na bola e puxou o fio dourado com força: De repente, Pedro era adolescente, tinha uma namorada bonita chamada Elisa, mas nem assim estava satisfeito, nunca aprendera a saborear o presente e explorar as simples maravilhas de cada fase da vida. Em vez disso sonhava ser adulto, portanto, tornou a puxar o fio e passaram-se muitos anos num instante. Agora, um adulto de meia idade e Elisa, a sua mulher, estavam rodeados de um bando de filhos. O Pedro reparou numa coisa, o seu cabelo, outrora preto começara a ficar grisalho, e a sua jovem mãe que tanto adorava tornava-se velhinha e frágil, mas nem assim conseguia viver o presente, nunca aprendera a fazê-lo, portanto, tornou a puxar o fio e esperou que mudanças ocorressem. 
O Pedro viu-se na pele de um homem de noventa anos, os seus cabelos pretos e grossos estavam brancos como a neve e a sua jovem mulher Elisa também envelhecera e morrera uns anos antes, os seus filhos tinham crescido e saído de casa para viverem as suas próprias vidas.Pela primeira vez na sua vida Pedro percebeu que não parara para aproveitar as maravilhas de viver. Nunca fora à pesca com os filhos nem dera um passeio ao luar com Elisa, nunca plantara um jardim nem lera um daqueles livros maravilhosos que a sua mãe adorava ler, pelo contrário, passara toda a sua vida a correr, sem nunca descansar para ver tudo o que havia de bom à sua volta. O Pedro ficou muito triste com esta descoberta, decidiu ir dar um passeio pela floresta como costumava fazer em criança para esclarecer as ideias e consular o espírito. Ao entrar na floresta reparou que os pequenos rebentos da sua infância se tinham transformado em imponentes carvalhos, a própria floresta amadurecera e tornara-se um paraíso natural. Deitou-se numa clareira e caiu num sono pesado
Passado um minuto ouviu alguém chamar: -Pedro! Pedro! - gritava a voz, ele olhou, e viu a velhinha que lhe dera a bola com o mágico fio dourado, à tantos e tantos anos: - Gostaste da minha prenda especial? - perguntou ela. O Pedro respondeu: -No inicio achei-a divertida, agora detesto-a, a vida inteira passou diante dos meus olhos sem ter oportunidade de aproveitar, teria vivido momentos tristes a par com alegres, mas não tive oportunidade de viver nenhum deles, sinto-me vazio por dentro, o dom de viver escapou-me entre os dedos. E a velhinha respondeu-lhe: -És ingrato, mas apesar disso vou conceder-te um ultimo desejo. O Pedro pensou por instantes e apressou-se a responder: -Quero voltar a ser menino da escola e tornar a viver a minha vida -E adormeceu novamente. Acordou outra vez com uma voz a chamá-lo, abriu os olhos, viu a mãe junto da sua cama, era jovem, saudável e radiosa. O Pedro percebeu que a estranha mulher da floresta lhe concedeu o desejo e ele regressara à sua vida anterior -Despacha-te Pedro, dormes demais, os teus sonhos vão fazer-te chegar tarde à escola se não te levantas - respondeu a mãe. Pedro levantou-se de um salto nessa manhã e começou a viver como esperara, teve uma vida preenchida e cheia de deleites, alegrias e triunfos, mas essa vida só parou depois de ele começar a sacrificar o presente em nome do futuro e decidir viver o momento presente


6 comentários:

  1. Às vezes todos nós somos um pouco "Pedros".

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  2. Não podemos estar sempre com o pensamento que depois é que tudo será perfeito, deixando escapar a perfeição do presente.

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  3. Eu ás vezes sou o "Pedro", parece que só estou bem onde não estou,
    :)

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  4. ah, adorei a imagem foste tu que fizeste?

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  5. Sandra*
    Concordo tanto!

    anf*
    Não fui eu quem fez o desenho, não, o jeito para desenhar ficou juntamente com o jeito para a culinária, na barriga da mamãe

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  6. Aguardamos o desfecho desta história.

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