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escárnio e mal dizer

Afastai-vos daqui enquanto tendes tempo, hoje não me recomendo, estou pronta para morder alguém! Mas por enquanto vou só rosnando baixinho
Não queria usar uma certa palavra, (que começa em R e termina em VOLTA) mas é a única que me ocorre. O único consolo que tenho para o que sinto neste momento, é olhar aquele que devia ser o exemplo - O ESTADO - os  funcionários e a enorme diferença de salários (e eu aqui a queixar-me que sou a única funcionária nesta empresa) entre os que estão mais abaixo e os outros, aqueles que com tachos ou não, conseguiram subir degraus, na vida, no emprego e na conta bancária. Eu vejo aqui onde moro -por exemplo- parte dos funcionários camarários que se passeiam nos corredores, sobem e descem degraus, vão tomar café, voltam e saem novamente, vão fazer um recado e regressam ao café e ainda antes do final do mês têm a sua conta recheada como pagamento pelo trabalho que não fizerem (uma vergonha!), por outro lado, os senhores que varrem ruas, que dão o duro debaixo de chuvas, ventos, sol e calor ganham a miséria que mal chega para o pão de cada dia, mas têm emprego, -ok! Ontem fui à câmara municipal entregar um documento, pedi ao porteiro se podia fazer o favor de encaminhar, uma vez que tinha o carro mal estacionado, respondeu-me com a seguinte pergunta: -Tenho cara de estafeta? -Eu não sei que cara têm os estafetas preferi reduzir-me à minha insignificância e entregar então o documento a quem de direito que me disse: -Numa próxima vez pode deixar com o porteiro... Ai a minha calma a esvair-se!
Desde que levei esta chapada sem mão, tenho estado mais atenta ao enriquecimento fácil, não estivesse eu a sofre-lo na primeira pessoa. Perto do campo onde o meu filho treina futebol foi construído um palácio, na verdade é uma casa de habitação e seria uma situação normal se esta albergasse 50 famílias, mas não, este palácio alberga duas pessoas, duas, recém casados. Aquilo é obra para ter custado uma pequena grande fortuna, o valor de várias casas juntas, mas ali tudo foi pensado e decorado ao pormenor, desde os muros ao jardim, tudo o que se vê no exterior. Na sexta-feira, quando regressava desta festa tive de pude reparar que todo o palácio era luz, por dentro, por fora, nas varandas, nos jardins, nos muros, tudo, a casa estava iluminada como se fosse natal (e ainda não é) e agora eu, conhecendo os proprietários: ele empregado do armazém de fruta do pai (salário mínimo) e ela empregada num gabinete de estética (salário mínimo) onde sem qualquer habilitação cola umas barras de cera nas pernas às senhoras: Não acharão as finanças que isto é casa a mais para tão pouco salário? Não haverá ninguém que lhe pergunte como? Não haverá ninguém que passe naquele armazém e veja com atenção a quantidade de pessoas que lá exercem trabalho (por necessidade) sem qualquer contrato, seguro, imposto ou regalia para além dos €3/hora (quase como aqueles enfermeiros) mas este é apenas este caso, porque como este, cá na terra é casa sim, casa também (quase!)
Aproveitando a onda daquela palavra que não quero usar, (que começa em R e termina em VOLTA), está também a questão do montão de gente que está desempregada e a receber subsídios pagos por mim e outros como eu que, apesar de aproveitar a hora de trabalho para vir para aqui mandar estas postas de pescada, desconto mensalmente uma boa parte do ordenado para os ver, para além da boa vida, a embarcar em biscates e empregos-não-oficiais mas de onde conseguem tirar outro salário que secretamente juntam ao subsidio que nós pagamos e conseguem fazer férias como não consegue quem trabalha, que conseguem vestir e calçar como não consegue quem trabalha, que não falham um concerto, um festival e conseguem tantas outras coisas que no mundo do trabalho honesto não é possível porque os patrões têm de construir castelos e palácios. Sim, agora posso dizer que me sinto revoltada com tudo isto, com tanta coragem das pessoas para passarem por cima de outros e com tanto decoro do estado que usa o nosso dinheiro para apoiar causas destas... E as VERA's LUCIA's? Lembram-se da VERA LÚCIA? (não encontrei nenhum link, mas quem não se lembra da funcionária que antes de ser entrevistada já estava seleccionada para o quadro da empresa publica?) pois é, eu soube de situações iguais, de outras VERA's LÚCIA's com entradas directas para os quadros de mais empresas publicas, também por cá, porque há empregos exclusivos para chicos-espertos, familiares de quem já lá está ou quem consegue a bendita cunha para lá chegar.
E agora que abri o facebook e dou de caras com a feira da Golegã, lembrei-me dos patrões que também conheço, que já aparecem em destaque nas fotos do evento, mas que 'se esqueceram' de pagar salários em atraso aos funcionários, subsídios e outras regalias, mas passeiam-se a cavalo entre o recinto da feira e a quinta que lá alugaram.

Isto está para aqui uma onda de revolta em crescimento. Num dia destes li por aí (não me lembro quando/onde) um magnifico post que falava em parar o país num dia de semana e fazer-se até São Bento uma peregrinação como se fossemos a Fátima a pé... Eu teria de andar 150 quilómetros mas tenho a certeza que não me doiam tanto quanto esta revolta que estou a sentir cá dentro

6 comentários:

  1. essas "coisas" ficam-me presas na garganta! porque se eu tiver que emigrar, por causa destas palhaçadas, como tantos já tiveram que fazer, eu juro que aí, perco as estribeiras, a educação e o raio que os parta a todos!

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  2. Tiraste-me as palavras.
    Tenho trabalho e por isso sou uma sortuda, mas sem contracto e tenho que batalhar todos os dias para garantir que tenho lugar.
    Há pouco tmepo estive na dinamarca e vim de lá revoltada com o meu país. Porque o que mais me maravilhou foram as pessoas, o seu altruismo. O sentir que ninguem me passa a frente na fila, o saber que ninguem tira o que não lhe pertence. Ter a consciência que o chico-espertismo é algo português, latino, vá.
    E fiquei como tu, REVOLTADA! Fico assim diariamente.
    Mas quero acreditar que ainda vale a pena lutar pelo meu país, e esperar que as pessoas mudem. Só assim o país vai mudar.

    Parabéns pelo blogue. Gosto muito de visitar.

    www.alvaquasetransparente.blogspot.com

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  3. Por aqui também se vão vendo pessoas que, aparentemente, não têm fontes de rendimentos (visíveis) a fazer grandes investimentos em moradias e afins...mas também vejo os meus vizinhos do bairro social em frente, a quem a Câmara deu T3, com carros de alta cilindrada e últimos modelos.

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  4. Ola.
    Parabéns pelo blog.
    Concordo em pleno... Revolta, frustação etc.

    Kiss

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  5. Revolta que partilho contigo...inacreditável onde vamos chegar...!Bjinho e obrigada pelas tuas palavras...!

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