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por minha culpa, minha grande culpa

Tão culpado é quem rouba como quem vigia e eu vigiando, sou tão cúmplice como se fosse a autora do crime, mesmo não havendo crime há segredos que não tenho culpa de ter ouvido, fui escolhida e a missão é guardá-lo, ainda que contra tudo e todos, tenho de guardar! As consequências são uma realidade
Como (me) posso permitir e continuar de braços cruzados? Como posso saber e continuar de boca fechada? Como posso continuar a ser a mente aberta, disponível, comer, calar, ouvir, consentir, deixar passar a barreira do respeito, aquilo que (me) podem dizer, pensar, fazer, porque sim. E o porquê de ainda me permitir isto, entregar em mão o direito de (me) magoar, fazer(me) sentir assim, pequenina, entregar(me) para a própria defesa, permitir(me).
Deus, daí-me força para me manter (à parte), quieta e calada, assistir assim, no camarote, porque se um dia me incentivas a falar, pode ser o caos, a enxurrada, o desabar de toda esta fachada em que alguns  vivem.
Provavelmente falta-ME maturidade para mandar tudo para o outro lado lidar com isto, por não ser 'assim', não querer viver 'assim'. Provavelmente um dia dou o murro na mesa e digo de minha justiça que afinal não há justiça nenhuma, não a oiço, não a vejo, não a sinto. Só porque há quem não (me) mereça, a amizade, a atenção e o precioso tempo que ainda caiu na tentação de desperdiçar. Porque um dia vou ser grande e saber não precisar de lidar com isto