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interdito a mães cujos filhos não tenham ainda entrado na adolescência

não planeei este filho, aliás, nunca planeei ter um filho, este aconteceu e assumi-o com a postura que se assumem consequências de actos impensados e imaturos, mudei por ele, dei-lhe desde sempre o melhor de tudo, assumi todos os papeis que na vida lhe faltaram, aguentei descriminações, ouvi opiniões não solicitadas, pintei um sorriso na cara e aceitei todos os conselhos que me chegaram, dediquei-lhe a vida, prescindi de muitas coisas por ele, afinal é tudo o que uma mãe faz por um filho, em troca apenas o quis feliz e nunca pedi nada, mas se ainda me for possível um desejo, um único desejo, gostava de ter paz, apenas paz em vez da constante preocupação que se chama escola, que se repete todos os anos e ainda faltam pela frente tantos quantos os que deixámos para trás e com o nível de exigência sempre a subir. Eu queria poder acreditar sempre nele, não ter de lhe pedir que fosse estudar e não ter de confirmar que efectivamente está a estudar e depois ainda ter de pedir que reveja a matéria, não queria a ansiedade dos testes nem o tempo de espera e muito menos a desilusão dos resultados, não queria surpresas nas reuniões nem castigos que vieram substituir diálogo que, no nosso caso, não resultou. O filho nunca foi o melhor amigo da escola e parece que, de ano para ano, essa relação está a degradar-se mais. 

Estou cansada, hoje mais que qualquer outro dia.

Hoje, se tropeçarem em qualquer farrapo perdido pelo chão, por favor tenham cuidado, é bem possível que seja eu

27 comentários:

  1. Anónimo5/16/2014

    Como te entendo... acontece o mesmo com a minha filha mais velha... até tenho medo das outras duas que se seguem... Beijinhos de alguém que te percebe...

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    1. somos todos diferentes, as suas meninas também são diferentes entre si, certamente correrá de forma diferente

      Obrigada

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  2. Anónimo5/16/2014

    Na condição social que possuo, tretas impostas mas que me condicionam alguns tipos de exposição vou comentar este post como anónimo e posteriormente, a tempo, enviar-te-ei um mail, ainda assim não posso deixar passar este dia, este post ou o que quer que seja que se refira a esta situação sem te deixar um abraço apertado, entendo o que passas, tenho um sobrinho, filho de gente formada e com grandes posses que está a repetir o 5º ano de escolaridade pela terceira vez e os pais desdobram-se para lhes dar todo o apoio possivel, mas deixa-me que te diga, não havendo vontade da parte das crianças e por mais que os pais remem, estes acabam por ganhar, contudo não desistas, já foste tanto, isto de hoje é só mais uma batalha e então agora, depois de descobrir o texto sobre 'a mãe' ali em cima passei a admirar-te ainda mais. um beijinho

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  3. O post era-me interdito, mas o que é proibido é mais apetecido e zás! Compreendo-te bem, apesar de as minhas Minis serem muito pequeninas, a entrada da mais nova para a escola primária tem-me trazido apreensiva, tendo em conta a maneira de ser dela. Vá. Anima-te. Não és a única!

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    1. interdito como forma, é um aviso apenas, para depois não me culparem se ficarem traumatizada(o)s

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  4. Calma, é só um dia menos bom. Amanhã já vais estar melhor:)*

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  5. Vá lá...enche-te de coragem e como Mãe que és nunca percas o sentido da escola e as necessidades que o teu filho vai ter nesse futuro, com trabalho acrescido para ti...ele vai gostar de sentir a mãe por perto em todos os momentos da sua vida!
    O futuro tem muitas incertezas mas a certeza do presente - MÃE- é a única e maior certeza...
    Quem tem filhos tem cadilhos quem não tem cadilhos tem!

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    1. ele tem a mãe (cansada) sempre por perto (às vezes demais)
      Há dias assim

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  6. Anónimo5/16/2014

    Quem diria que te iria ler um post destes, olha bem para ti, sim?
    Tens noção do que já passaste? O que é a adolescencia ao pé de tudo o resto?

    Beijinho Jô

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  7. Carlissima5/16/2014

    Tu és a referencia!
    Qual é a duvida?

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  8. Anónimo5/16/2014

    Significa que o teu filho está acrescer, a tornar-se homem. Força

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  9. Vou lendo teus desabafos e assusto-me, o meu no 3º ano dá um trabalhão com a escola, não vejo interesse, nem motivação.
    Até vai tirando notas boas, mas com muito esforço nosso, olhando para ti, imagino o meu futuro.
    É um desgaste.

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    1. foi para não assustar que a primeira palavra que escrevi (titulo) foi 'interdito'
      aviso já que não assumo culpas por eventuais traumas

      mas cada caso é um caso, não se assuste por antecipação

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  10. Então e mães de filhos em pré-adolescência?
    O meu ainda está deslumbrado com a escola, também é o 1º ano.
    Após ler este post e correndo o risco de dar um conselho daqueles que só merecem como resposta um silêncio, será desisnteresse ou será falta de estímulo?
    Convivi com um adolescente de 14 anos que foi a minha casa ter explicações porque não era amigo da escola, porque tinha más notas, porque ia chumbando...conclusão: a turma era terrível, os professores entravam na sala numa de "estes são todos uns falhados" e este ano nem parece o mesmo aluno. Por vezes a falta de motivação na escola reflecte-se em casa.
    Um beijo e força

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    1. a turma deste ano é fantástica, mas alguém tem de degenerar, certo?

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  11. Um beijinho especial. Não desanime (desanimes... posso tratar-te por "tu"?), às vezes, de um momento para o outro surpreendem-nos e mudam e, mesmo se não houver uma mudança efetiva, haverá coisas certamente que lhe estão lá "no fundo" e que não são, muitas vezes, dadas pela escola... e quem sabe, estas não serão as principais?

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    1. por tu, claro que sim

      eu sei disso, contudo há a escola e essa não se pode evitar

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  12. Catarina Canha5/16/2014

    Em resposta ao comentário da NANY: http://aminhavidadavaqualquercoisa.blogspot.pt/2013/11/teoria-da-insatisfacao.html embora ninguém me tenha encomendado o sermão

    E quanto a ti, Inês, aceita um abraço apertado e um grande beijinho

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    1. obrigada Catarina
      beijinho para ti, vai-me passar, tu sabes

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Não é caso para te sentires um farrapo...
    Sou mãe solteira e EE (e ainda representante do EE das respectivas turmas) de dois, um com 11, que tem boas notas sem esforço nenhum, e uma com quase 8 que só há dias começou a ler umas coisas. Isto após meses e meses a dizerem-me que não estranhasse e eu, a dada altura, decidir que estava farta de esperar e não querer mais vê-la cair na frustração. Resultado: ela tem uma perturbação específica da linguagem e esforça-se imenso. Provavelmente nunca terá notas boas.
    Nem um nem outro são arrumados ou organizados. Não antevêem as consequências dos seus actos, na maioria das vezes.
    Mas eu vou orientando e, cada vez mais, concluo que algum espaço tem de lhes ser dado. E a vida familiar não deve ser (muito) perturbada pela vida escolar.
    Se reparares nos percursos escolares de inúmeros disléxicos, não foram positivos.
    Essencial é sentirem-se amados, entenderem que nos orgulhamos deles quer tenham bom aproveitamento ou não...
    E vivermos também a nossa vida, os nossos momentos individuais. Antes de sermos mães, já éramos nós :-)

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    1. às vezes queria (só) um código PIN para descobrir a chave

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  15. Olá!|!!!

    Qual farrapo?! Uma mulher que escreve este texto é uma heroína!

    Minha querida, tenho 4! Cada um com o seu feitio! O mais velho com 16 anos, quando diz que esta a estudar apanho-o a desenhar, por exemplo os candelabros que estão na mesa da sala de jantar...ou os simpsons..o que calhar!

    Beijinho com ternura e muita calma!

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    1. obrigada Carla
      às vezes falha-nos a bengala
      mas o erguer será mais forte que a queda, tenho certeza

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