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criei este blog para lavar a roupa suja que carregava numa trouxa às costas. não era feliz nem fazia questão de ser vivia numa espécie de escravidão mental na condição de mãe solteira e abandonada na verdade o universo tinha fechado várias portas e eu, tão concentrada nelas, teimava em não ver as janelas abertas à volta. lambi as minhas próprias feridas tentando lidar com uma culpa que foi servindo de desculpa, que não era minha mas aceitei como se fosse. a vida foi andando e eu, enquanto lavava e estendia tudo, fui ajustando contas comigo mesma, deitando fora o que não servia ou estava demasiado gasto, e arrumando o que sobrava
o miúdo cresceu, eu cresci, aprendemos a caminhar, viver, conversar, a trocar olhares e sorrisos, aprendemos a gerir o espaço, o tempo e os gostos, aprendemos a cumplicidade e treinámos a felicidade, fomos fechando janelas, outras mantivemos abertas, percebemos que a vida é uma avalanche de emoções  aparece sem avisar e em qualquer altura o alvo somos nós, quando isso acontece o copo não fica meio cheio, o copo transborda de felicidade
a vida ensinou-nos que mesmo completos há sempre lugar para mais alguém, abrimos as portas que um dia nos fecharam e os braços que cresceram à medida dos nossos corpos apenas ultrapassámos os medos de receber e arriscámos, passou algum tempo e fazem-se contas, balanços, já há até recordações e histórias para contar, o filho ganhou um inquilino no coração que não lhe ocupa o lugar vazio que negligentemente lá tem, mas preencheu todo o espaço em volta muito mais que um amigo, o filho ganhou um companheiro, e eu, ainda com tantos medos, feridas e uns 'ses', engoli um jardim em plena primavera a julgar pelas borboletas que sinto no estômago e sinto o coração aconchegado, quentinho e confortável
toda a gente já esteve apaixonada 
por isso toda a gente sabe do que falo