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nesta idade do meu filho

onde sopra o vento estão as árvores mais fortes li isto não sei onde a propósito do excesso de protecção mas não é por isso que vamos atirar com filhos aos leões esfomeados à espera que mostrem o que valem, que vinguem e saiam de lá tão fortes como o Shrek
que mãe-de-adolescente não gostava de ter um filho-marioneta que fosse para onde ela indica, que fizesse o que ela ordena e ainda assim conseguisse crescer independente e feliz? que mãe-de-adolescente não gostava que a sua criancinha aprendesse com o que lê, vê ou lhe contam em vez de ter de bater com a cabeça? que mãe-de-adolescente consegue olhar em frente, o futuro, sem receio ainda que passageiro?

os meus treze foram a idade parva, chorei no dia em que os fiz, lembro-me bem, estava a chegar de Lisboa onde tinha passado as férias e o meu pai mandou-me ir buscar um lenço, achei um desplante, pedir-me um favor no dia do meu aniversário, logo a mim que tinha ao lado uma irmã que não estava a fazer nada, nem anos
acabada de sair de uma escola-prisão para outra onde em vez de porteiro havia acesso directo à liberdade, um jardim enorme com relva e um lago onde fumei os primeiros cigarros, também foi nessa escola que experimentei ser expulsa de uma aula e faltar a outras por rebeldia, saia de carro com uma amiga mais velha e sem carta, sem que os meus pais sonhassem, inventei festas de anos e dormia vezes sem conta na casa de amigas, tive o meu primeiro namorico e também tinha muita mania, vesti as primeiras calças de marca e os primeiros ténis de marca e senti-me por isso a ultima coca-cola no deserto, perdia o autocarro propositadamente e regressava a casa de boleia de uma rapaz giro, recusava vestir casacos e preferia passar frio do que usar uma camisola que não fizesse o meu estilo?!, calcei botas dois números abaixo só porque as adorava, gastava o dinheiro do almoço em gomas e uma vez vendi rifas e destruí o dinheiro todo nos carrinhos de choque, levei uma sova da minha mãe que me serviu para aprender o valor do dinheiro
aos treze anos a aparência era um sentimento e de todos o mais importante, betos eram boas pessoas porque calçavam sapato de vela e andavam de camisola ao pescoço por cima da camisa que usavam fora das calças, eu era uma beta de camisa, colar e livros na mão, nada de mochilas como as miúdas e tinha muitos amigos que duraram exactamente o mesmo tempo desse ano lectivo

hoje olho para os treze anos das miúdas da turma do meu filho e vejo o espelho do que fui, aos treze anos a minha vida foi uma aventura sem consciência que só! por acaso até acabou bem, felizmente mudei de escola, fiz catorze anos e pus-me no meu lugar, hoje ainda tenho a mania mas baixei a crista e também ainda sou parva mas com muito mais estilo, principalmente com os pés assentes na terra

2 comentários:

  1. Este texto podia ter sido escrito por mim. Revejo-me totalmente nessa adolescência! E isso é o que dá medo: saber o que fizemos...

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  2. Eu revejo-me uns quatro anos mais tarde. Com 13 anos, parecia ter 10. Ninguém (leia-se rapazes) me ligava nenhuma, o que de certa forma contribuiu para uma parvoeira tardia, e mais parva ainda.

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