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amanheceu. o miúdo acordou. ouvi o barulho das muletas pelo corredor e a força com que se mandou contra o sofá, depois as muletas, uma de cada vez bateram no chão. levantei-me, abri as cortinas e o sol entrou, vi-lhe um olhar tão triste quanto distante, dei os bons dias e perguntei o que se passava 'está um dia tão bonito e eu estou aqui sem poder fazer nada, nem andar de skate, que massacre' ao ouvir a palavra massacre dei-me conta de que ele não sabia o que se passara e esta seria a deixa para um banho de realidade. liguei a televisão e preparei-me para procurar alguma noticia, não foi preciso, era a actualidade e chegava de todos os lados. primeiro não se apercebeu, depois começou a ver imagens que lhe eram familiares, afinal teve lá no mês passado, no bataclan, naquelas ruas, naquela cidade. à medida que as imagens passavam ele fazia perguntas tentando assimilar o espaço ao tempo e aos acontecimentos e dizia-me 'mãe, eu tive ali, como é que é possível?' desliguei a televisão, só precisava que se situasse no tempo e no espaço, que percebesse a realidade e a definição de massacre, afinal o meu miúdo só tem um entorse no pé e o dia continua bonito [para nós]

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