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| perdidos & não achados |

era domingo de sol, sentei-me à mesa em família e almocei, desci a casa, troquei de óculos e segui em excursão para o café. a sobrinha queria brincar no parque infantil e eu fui com ela, andámos de baloiço, escorrega e rebolámos na relva não, não tenho vergonha e seguimos para casa. carregámos no carro alguns garrafões vazios e fomos buscar água, na fonte lembrei-me que só tinha os óculos de sol -sem problema - pensei, ainda é dia e isto é um instante, regressei a casa, descarreguei o carro, brinquei na rua, levei a sobrinha a casa, passei no supermercado e regressei. era domingo e não vi os óculos, usei-me dos velhinhos de que nunca me desfiz e pensei que já iria procurar na casa da mãe. e fui, e não vi. foi segunda feira e terça e quarta e os óculos não apareceram, procurei no parque, nos cafés e no carro, re-fiz o caminho dezenas de vezes e nada

se gostava de ter uns óculos novos? gostava, mas não era a prioridade e não é pelo dinheiro, nem pelo tempo nem por nada, é porque gostava daqueles óculos, por serem leves, confortáveis, giros, discretos e simples e é difícil reunir tudo isto na mesma armação. havia uma esperança que joga bem com máxima de que em equipa que ganha não se mexe e eu, fiel, corri para os braços destes senhores para ouvir dizer não-sei-o-quê de edição limitada que não voltam a comercializar e agora estou aqui em versão amuada, de lábio inferior esticado, braços cruzados e pézinho a bater é assim que amuo à espera do milagre do reaparecimento dos óculos... 

ou que alguém me ensine a reza de fazer aparecer coisas perdidas

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